O Centro para o Tratamento e Prevenção da Arteriosclerose no Heart Institute do Hadassah Medical Center lidera o esforço israelense para identificar e tratar famílias com altos níveis de colesterol em sua corrente sanguínea.

Conhecido como Hipercolesterolemia Familiar (HF), a condição é o resultado de uma das mais comuns desordens genéticas. Portadores da mutação HF tem risco seis vezes maior que o público em geral de desenvolver doença coronária arterial precocemente e experimentar morte súbita. Estima-se que 1 em 300 pessoas tenha HF. Dos pacientes com doença coronária precoce, 1 em cada 20 tem HF. Sendo uma desordem transmitida de forma autossômica dominante, um gene defeituoso herdado de apenas um dos genitores é suficiente para levar ao alto colesterol.

A mutação HF revela-se como um defeito da capacidade do corpo de limpar o LDL-C (low-density lipoprotein cholesterol), o “mau” colesterol. Em regra, o defeito é no receptor do LDL-C das células do fígado. Normalmente, este receptor liga-se às partículas de LDL-C no sangue, habilitando o corpo a excretar estas partículas pelo fígado na bile. Em células com receptores de LDL defeituosos, o processo normal é insuficiente, resultando em altos níveis de LDL-C. O LDL então acumula-se nos vasos sanguíneos e causa a doença aterosclerótica (estreitamento das artérias devido ao acúmulo de placa).

Como a FH está associada a um risco significativo, é importante  fazer o diagnóstico em tempo hábil e iniciar o tratamento.

Recentemente, uma equipe de pesquisa do Heart Institute do Hadassah testou famílias suspeitas de serem portadoras da HF, utilizando as mais recentes tecnologias de sequenciamento de DNA. Os pesquisadores identificaram quatro mutações desconhecidas – três na população judaica e uma em uma grande família druza. Resultados destas análises foram publicados no prestigiado periódico médico, Atherosclerosis, em 2017.

O entendimento das mutações HF mudou consideravelmente nos últimos 20 anos, por causa dos padrões de imigração e do acesso a novas tecnologias de identificação de mutações. Pesquisadores identificaram o que chamaram de “Founder Effect”, que ocorre quando um grupo separa-se da população geral e permanece isolado. Isto pode levar a uma alta incidência do que seriam doenças normalmente incomuns naquela população, a medida que as mutações genéticas dos “founders” da população se espalham nas gerações seguintes. Os Founder Effects foram identificados em várias populações em Israel. Na população asquenazita, founder effects datam do século 14. Duas décadas atrás, a equipe do Hadassah reportou uma série de genes que eram responsáveis por uma larga percentagem de HF em Israel. Eles analisaram 192 famílias e encontraram 15 mutações diferentes. Os pacientes de HF portadores destas 15 mutações eram originários de 10 países (Hungria, Iraque, Israel, Líbano, Lituânia, Marrocos, Polônia, Romênia, Rússia e Síria).

Os laboratórios do Hadassah foram, e continam sendo, líderes neste campo, a medida que seus pesquisadores trabalham em novas estratégias para aprimorar a análise precoce. Além disto, planos estão em preparação para explorar mais a fundo estas novas mutações para verificar se alguma delas pode fornecer pistas para a prevenção e tratamento da arteriosclerose.

Representação gráfica do receptor LDL, com mudanças na sequência de DNA no grupo israelense de HF. O início indica novas variações observadas somente na população israelense.

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